Outubro termina com café acima de US$ 1,00 lb em NY

     Porto alegre, 01 de novembro de 2019 – O mercado internacional do café teve um mês de outubro de muita volatilidade. Na Bolsa de Nova York para o arábica (ICE Futures US), que baliza a comercialização internacional do café, o mercado recebeu a pressão da ampla oferta global e esteve atento às condições climáticas no Brasil. A baixa do dólar contra o real no Brasil, por sua vez, garantiu sustentação às cotações em muitos momentos.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, a queda no dólar vem dando suporte para o avanço do café em NY. “Esse realinhamento fez o café elevar o patamar de atuação na bolsa norte-americana, e, com isso, a posição dezembro/19 acabou se distanciando das mínimas e voltou a flertar com a linha psicológica de 100 centavos de dólar por libra-peso”, comenta. O dólar chegou a recuar e ficar abaixo de R$ 4,00. A queda na moeda americana dá ao mercado o sentimento de perda de competitividade para as exportações brasileiras de café. No curto prazo, para Barabach, o mercado de café deve seguir atrelado à flutuação cambial.

      As chuvas retornaram em outubro com mais frequência ao cinturão cafeeiro do Brasil, o que faz o sentimento em relação à próxima safra brasileira ser bem positivo. Barabach, afirma que essas chuvas das últimas semanas ajudam a amenizar as dúvidas produtivas. “No entanto, é natural que depois do deslumbramento com as floradas haja uma correção dos exageros. Esse ajuste nas perspetivas, por sinal, também favoreceu a melhora na curva de preços internacionais do café. Mesmo porque ainda se discutem as sequelas sobre o potencial produtivo da próxima safra devido ao tempo seco e às altas temperaturas, que antecederam as floradas de outubro”, adverte.

     Porém, a demanda segue tranquila. As exportações seguem sólidas e os estoques são altos junto aos importadores. “A chegada da safra de concorrentes ao final do ano, como os suaves colombianos e outros suaves da América Central, além, é claro, do robusta do Vietnã, reforçam esse sentimento de oferta ampla, que já pauta as ações dos compradores mundiais há um longo tempo”, avalia o consultor. O Brasil embarcou entre 40 a 41 milhões de sacas na temporada passada. E o país sustenta um fluxo acelerado de embarques nesses primeiros meses do ciclo comercial 19/20. “Em linhas gerais, mercado mundial está bem comprado de origem Brasil”, afirma Barabach.

     “Bem abastecido no disponível e enxergando uma grande safra brasileira no futuro, é dificil o comprador alterar a sua  postura. Assim, deve seguir trabalhando da “mão-para-boca” e sem agressividade, o que limita o potencial das investidas de alta nos preços”, prevê o consultor. NY fechou outubro acumulando alta de 0,8% para o contrato dezembro. Na última sessão do mês, o contrato fechou a 101,95 centavos de dólar por libra-peso, sustentado acima, portanto, da linha de US$ 1,00 a libra-peso.

     O preço físico interno subiu ao final de outubro, apoiado na alta na ICE. “E a alta no preço trouxe mais vendedores ao mercado, mas sem afoboção na hora de negociar. O produtor tem optado em vender os cafés mais fracos, segurando as bebidas melhores Muitos produtores, mesmo com a alta dos preços, seguem bem comedidos em suas posições, na expectativa de preços melhores”, comenta Barabach. Os cafeicultores apostam na entressafra, devido à safra menor e à carência de algumas descrições, especialmente as bebidas melhores e o cereja.

     O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais fechou outubro a R$ 430,00/435,00 a saca de 60 quilos. Já o conilon tipo 7, em Vitória/ES, terminou o mês a R$ 285,00/290,00 a saca.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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